{"id":25919,"date":"2025-01-02T11:25:26","date_gmt":"2025-01-02T11:25:26","guid":{"rendered":"https:\/\/incm.pt\/site\/?p=25919"},"modified":"2025-01-02T11:25:26","modified_gmt":"2025-01-02T11:25:26","slug":"daude-amade-e-o-vencedor-da-8-a-edicao-do-premio-imprensa-nacional-eugenio-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/incm.pt\/site\/daude-amade-e-o-vencedor-da-8-a-edicao-do-premio-imprensa-nacional-eugenio-lisboa\/","title":{"rendered":"Da\u00fade Amade \u00e9 o vencedor da 8.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9mio Imprensa Nacional\/Eug\u00e9nio Lisboa"},"content":{"rendered":"<p>O mo\u00e7ambicano Da\u00fade Nossi Amade, que concorreu sob o pseud\u00f3nimo Jorge Nyembete, \u00e9 o autor do romance in\u00e9dito <em>Rogilda, ou Brevi\u00e1rio de Agonia<\/em>, distinguido pelo j\u00fari da 8.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9mio Imprensa Nacional\/Eug\u00e9nio Lisboa.<\/p>\n<p>De acordo com o j\u00fari, composto por Luc\u00edlio Manjate (Presidente), Sara Jona e Paula Mendes, \u00ab<em>Rogilda, ou Brevi\u00e1rio de Agonia<\/em> destaca-se pela atualidade da intriga, situada num tempo ambivalente entre o cronol\u00f3gico e o psicol\u00f3gico, o da Covid 19, em Mo\u00e7ambique e no mundo. Desta escolha, resulta um romance de pendor predominantemente psicol\u00f3gico e imersivo, cuja a\u00e7\u00e3o \u00e9 centrada no espa\u00e7o de uma casa. Com base neste tempo e espa\u00e7o, a obra desafia o leitor a rememorar, com coragem, as experi\u00eancias individuais e coletivas da pandemia, cujas sequelas ainda s\u00e3o vis\u00edveis no rosto da humanidade\u00bb.<\/p>\n<p>Na aprecia\u00e7\u00e3o do j\u00fari, \u00abao explorar o tema da agonia, a obra cria uma atmosfera de tens\u00e3o e suspense cont\u00ednuo, que, ironicamente, prende o leitor na expectativa da morte iminente, a grande meton\u00edmia da pandemia de Covid 19. H\u00e1, no entanto, uma tentativa gorada de suic\u00eddio. Este ponto de viragem do romance leva o leitor a enfrentar outros temas e dilemas: a ang\u00fastia, o isolamento, a solid\u00e3o <em>vs.<\/em> companhia; a artificialidade <em>vs.<\/em> a naturalidade das rela\u00e7\u00f5es humanas; o valor da felicidade e do amor diante de um mundo tecnologicamente opressor, entre outros\u00bb.<\/p>\n<p>A obra vencedora \u00abdestaca-se ainda pela narra\u00e7\u00e3o, fluida e introspetiva, que se desdobra com recurso \u00e0 t\u00e9cnica do <em>flashback<\/em> e na h\u00e1bil altern\u00e2ncia entre a primeira e a segunda pessoa. O investimento numa linguagem po\u00e9tica e pl\u00e1stica \u00e9 not\u00e1vel. A poeticidade e plasticidade da sua linguagem centram-se, respetivamente, na descri\u00e7\u00e3o do mundo interior do protagonista, a partir do qual despontam inspiradoras reflex\u00f5es filos\u00f3fico-existenciais, e na evoca\u00e7\u00e3o intertextual de nomes e obras da literatura e m\u00fasica mo\u00e7ambicana e universal. Resulta destas escolhas um romance polif\u00f3nico e, ao mesmo tempo, seguro, coeso, que prova que Da\u00fade Nossi Amade det\u00e9m uma agu\u00e7ada consci\u00eancia do labor liter\u00e1rio\u00bb.<\/p>\n<p>Da\u00fade Amade nasceu na cidade de Maputo, em 1993. \u00c9 professor, escritor e ensa\u00edsta, licenciado em Ensino de Filosofia com Habilita\u00e7\u00f5es em Hist\u00f3ria pela Universidade Pedag\u00f3gica, tendo tamb\u00e9m frequentado a licenciatura em Literatura Mo\u00e7ambicana pela Universidade Eduardo Mondlane. Tem textos publicados em revistas de Arte e Filosofia e em colet\u00e2neas nacionais e estrangeiras como: <em>Um Natal experimental e outros contos<\/em>, vol. 1 e 2 (Gala-gala edi\u00e7\u00f5es, 2021 e 2022), <em>Ubuntu: Literatura e ancestralidade <\/em>(Gala-gala edi\u00e7\u00f5es, 2022), <em>Mazamera sefreu <\/em>(Editora Kulera, 2023), <em>Cr\u00f3nicas de Yasuke <\/em>(Editora Kulera, 2024).<\/p>\n<p>O J\u00fari deliberou, ainda, atribuir uma men\u00e7\u00e3o honrosa ao original <em>Na Boca do Hipop\u00f3tamo<\/em>, assinado por Changamire Dombo, pseud\u00f3nimo do mo\u00e7ambicano Jeremias Macaringue. \u00abTrata-se de um romance que faz jus \u00e0 crescente aposta na narrativa policial sobretudo pela nova gera\u00e7\u00e3o de escritores mo\u00e7ambicanos\u00bb.<\/p>\n<p>O Pr\u00e9mio Imprensa Nacional\/Eug\u00e9nio Lisboa, que visa selecionar trabalhos in\u00e9ditos de grande qualidade no dom\u00ednio da prosa, incentivando desta forma a l\u00edngua portuguesa e a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria mo\u00e7ambicana, foi criado, em 2017, pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), numa parceria com o Cam\u00f5es \u2013 Centro Cultural Portugu\u00eas em Maputo. Al\u00e9m de uma componente pecuni\u00e1ria, no valor de 5 mil euros, o Pr\u00e9mio contempla a publica\u00e7\u00e3o da obra vencedora sob a chancela da Imprensa Nacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mo\u00e7ambicano Da\u00fade Nossi Amade, que concorreu sob o pseud\u00f3nimo Jorge Nyembete, \u00e9 o autor do romance in\u00e9dito Rogilda, ou Brevi\u00e1rio de Agonia, distinguido pelo j\u00fari da 8.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9mio Imprensa Nacional\/Eug\u00e9nio Lisboa. 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