{"id":21758,"date":"2024-03-08T10:06:11","date_gmt":"2024-03-08T10:06:11","guid":{"rendered":"https:\/\/incm.pt\/site\/?p=21758"},"modified":"2025-03-05T16:53:01","modified_gmt":"2025-03-05T16:53:01","slug":"incm-uma-historia-no-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/incm.pt\/site\/incm-uma-historia-no-feminino\/","title":{"rendered":"INCM &#8211; Uma hist\u00f3ria no feminino"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria das Mulheres na Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) reflete a evolu\u00e7\u00e3o e as transforma\u00e7\u00f5es que, ao longo dos tempos, se verificaram na sociedade e no mundo. Sendo resultado da fus\u00e3o de dois dos mais antigos estabelecimentos industriais do Pa\u00eds, a Imprensa Nacional, criada em 1768, e a Casa da Moeda, com mais de 700 anos de hist\u00f3ria, s\u00f3 na 2.\u00aa metade do s\u00e9culo XIX se regista a entrada das primeiras mulheres num universo laboral fabril, at\u00e9 ent\u00e3o, exclusivamente masculino.<\/p>\n<p>A primeira mulher admitida na Imprensa Nacional, Eug\u00e9nia Salustiana, iniciou fun\u00e7\u00f5es no dia 25 de fevereiro de 1857, tornando-se aprendiz da oficina de Galvanoplastia, Estereotipia e Fundi\u00e7\u00e3o Mec\u00e2nica. A 14 de mar\u00e7o do mesmo ano, com a contrata\u00e7\u00e3o da segunda trabalhadora, para permitir o enquadramento de mulheres na \u00e1rea fabril, foi criada a \u00e1rea designada \u00abRo\u00e7ar e Rebarbar\u00bb, onde, no final do ano, laboravam 11 oper\u00e1rias, em contrapartida a 196 trabalhadores homens. At\u00e9 \u00e0 viragem do s\u00e9culo, o n\u00famero significativo de admiss\u00f5es na Imprensa Nacional foi quase exclusivamente masculino.<\/p>\n<p>Na Casa da Moeda, a 1 de junho de 1895, uma jovem de 15 anos de idade, de seu nome Etelvina Adelaide da Concei\u00e7\u00e3o Silva, foi a primeira mulher admitida. Como era pr\u00e1tica \u00e0 \u00e9poca, as admiss\u00f5es eram sugeridas por um abonador, que foi, na altura, o encarregado da oficina da Gomagem, Ant\u00f3nio Mathias da Silva, seu pai. Esta jovem trabalhadora, que iniciou fun\u00e7\u00f5es na Oficina da \u00abEscolha\u00bb, a partir de 3 de junho, veio a auferir inicialmente um sal\u00e1rio de 200 reis, valor inferior ao dos seus colegas homens. No ano de 1898, no m\u00eas de julho, assistiu-se \u00e0 entrada de 18 mulheres. A necessidade destas admiss\u00f5es correspondeu ao per\u00edodo em que n\u00e3o ocorreu emiss\u00e3o de moeda, originando ent\u00e3o a impress\u00e3o extraordin\u00e1ria de c\u00e9dulas em sua substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A contrata\u00e7\u00e3o de mulheres num universo eminentemente masculino foi, naquela \u00e9poca, um ato progressista e marcou uma viragem nos servi\u00e7os da Casa da Moeda e Papel Selado.<\/p>\n<p><strong>O Advento da Rep\u00fablica<\/strong><\/p>\n<p>O s\u00e9culo XX em Portugal foi marcado por momentos de rutura, com reflexo nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho nas duas f\u00e1bricas. Entre eles, a Implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 1910, e a Revolu\u00e7\u00e3o de Abril, em 1974. Logo em 1911 procedeu-se \u00e0 reforma dos \u00abServi\u00e7os da Casa da Moeda e Papel Selado e Contrastaria\u00bb, onde, num universo de 208 trabalhadores, foi previsto, expressamente, que um total de 24 mulheres fariam parte integrante dos quadros para exercer fun\u00e7\u00f5es no \u00abArmaz\u00e9m do Selo\u00bb.<\/p>\n<p>A Rep\u00fablica trouxe tamb\u00e9m novas regras nos processos de admiss\u00e3o dos trabalhadores e trabalhadoras, mais consent\u00e2neos com os princ\u00edpios da transpar\u00eancia e da igualdade de oportunidades. \u00c9 assim que, a 10 de abril de 1916, s\u00e3o admitidas as primeiras tr\u00eas mulheres atrav\u00e9s de concurso p\u00fablico. Na imprensa Nacional, independentemente da mudan\u00e7a pol\u00edtica operada, j\u00e1 se manifestavam claras preocupa\u00e7\u00f5es com a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, pela exist\u00eancia de uma Comiss\u00e3o de Melhoramento do Pessoal. A 15 de maio de 1910, esta Comiss\u00e3o emite um parecer \u00abpara futuras regulamenta\u00e7\u00f5es dos Servi\u00e7os\u00bb, alertando para a desigualdade relativa das ajudantes de ro\u00e7adoras, para quem solicitam equipara\u00e7\u00e3o aos aprendizes em caso de doen\u00e7a. Apesar dessas preocupa\u00e7\u00f5es, os sal\u00e1rios das mulheres correspondiam a cerca de 65% dos sal\u00e1rios dos homens, exercendo as mesmas fun\u00e7\u00f5es. No final deste ano, trabalhavam na Imprensa Nacional de Lisboa 401 homens e 22 mulheres em fun\u00e7\u00f5es fabris.<\/p>\n<p>Da 1.\u00aa Rep\u00fablica ao Estado Novo, na \u00e1rea fabril da Casa da Moeda, as faltas ou f\u00e9rias das oper\u00e1rias eram registadas em documentos diferenciados pelo g\u00e9nero, mesmo que desempenhassem fun\u00e7\u00f5es id\u00eanticas \u00e0s dos seus colegas do sexo masculino. Em 1933 trabalhavam nesta \u00e1rea 162 oper\u00e1rios e 28 oper\u00e1rias, enquadrados por 12 chefes, todos homens. Somente na segunda metade da d\u00e9cada de 40 \u00e9 que as folhas de f\u00e9rias passam a incluir mulheres e homens no mesmo mapa.<\/p>\n<p><strong>As lutas e o sonho da Democracia<\/strong><\/p>\n<p>Sem altera\u00e7\u00f5es significativas no decurso do Estado Novo, o ano de 1972 foi marcante para a vida destes dois estabelecimentos do Estado. Pelo <a href=\"https:\/\/files.diariodarepublica.pt\/1s\/1972\/07\/15400\/08600869.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Decreto-Lei n.\u00ba 225\/72<\/a>, de 4 de julho, operou-se a fus\u00e3o da Imprensa Nacional com a Casa da Moeda, passando a existir uma \u00fanica empresa, tal como se mant\u00e9m at\u00e9 aos nossos dias.<\/p>\n<p>Marcante foi tamb\u00e9m o ano de 1974 e a Revolu\u00e7\u00e3o de Abril, introduzindo grandes mudan\u00e7as na sociedade portuguesa, que rapidamente se refletiram na INCM. Nesse mesmo ano foi criada a primeira comiss\u00e3o de trabalhadores, antes mesmo da publica\u00e7\u00e3o da lei que as regulamentou. Embora nesta primeira comiss\u00e3o n\u00e3o participassem mulheres, estas foram sendo eleitas gradualmente para esse \u00f3rg\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o que se mant\u00e9m at\u00e9 aos dias de hoje. O in\u00edcio do per\u00edodo democr\u00e1tico permitiu tamb\u00e9m a reintegra\u00e7\u00e3o de trabalhadores e de trabalhadoras que se tinham destacado nas lutas pol\u00edtica e laboral. Foi o caso da trabalhadora Berta do Carmo Carvalho, que havia sido afastada ap\u00f3s ter sido presa pela PIDE, devido \u00e0 sua liga\u00e7\u00e3o ao Partido Comunista Portugu\u00eas, e que, ap\u00f3s a sua reintegra\u00e7\u00e3o na INCM, em 1974, entregou o seu primeiro ordenado \u00abde funcion\u00e1ria readmitida como homenagem ao Movimento das For\u00e7as Armadas que libertou o Pa\u00eds\u00bb.<\/p>\n<p><strong>Maria Jos\u00e9 da Costa Lopes, a primeira diretora <\/strong><\/p>\n<p>Em 1978, surge a primeira mulher a assumir um cargo de dire\u00e7\u00e3o na empresa, Maria Jos\u00e9 da Costa Lopes, que permaneceu na INCM at\u00e9 1990. A d\u00e9cada de 80 foi igualmente marcada por grandes altera\u00e7\u00f5es: entrou em vigor o primeiro Acordo da Empresa, o Regulamento dos Servi\u00e7os Sociais, bem como as restantes altera\u00e7\u00f5es ocorridas na legisla\u00e7\u00e3o laboral, que aqui se refletiram, todas com consequ\u00eancias diretas na igualdade de g\u00e9nero, pela consigna\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es id\u00eanticas de car\u00e1ter laboral, social e salarial para os trabalhadores e trabalhadoras da empresa.<\/p>\n<p>Nos anos de 1990, continua a ser superior o n\u00famero de trabalhadores do sexo masculino, mas, no \u00e2mbito das admiss\u00f5es, a diferen\u00e7a come\u00e7a a esbater-se. No final desta d\u00e9cada as habilita\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias das mulheres eram j\u00e1 mais elevadas, nos ensinos secund\u00e1rio e superior, acompanhando a tend\u00eancia nacional.<\/p>\n<p><strong>Um longo caminho para a paridade<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 no s\u00e9culo XXI, a INCM incorpora definitivamente o respeito pelos princ\u00edpios da <a href=\"https:\/\/incm.pt\/site\/igualdade-diversidade-inclusao\/\">Igualdade e N\u00e3o Discrimina\u00e7\u00e3o<\/a> nos seus Valores, assumindo tamb\u00e9m os princ\u00edpios da <a href=\"https:\/\/incm.pt\/site\/responsabilidade-social\/\">Responsabilidade Social<\/a> e da <a href=\"https:\/\/incm.pt\/site\/sustentabilidade\/\">Sustentabilidade<\/a>. A empresa adere, como membro fundador, ao IGEN \u2013 F\u00f3rum Empresas para a Igualdade, elabora o Plano para a Igualdade de G\u00e9nero e cria o Comit\u00e9 da Igualdade.<\/p>\n<p>Atualmente, existe uma representatividade quase parit\u00e1ria entre g\u00e9neros na INCM, com 47% de mulheres e 53% de homens (338 trabalhadoras e 387 trabalhadores em dezembro de 2023). Esta paridade mant\u00e9m-se quando se olha para as fun\u00e7\u00f5es desempenhadas em cargos dirigentes ou de chefia, ocupados por 52% de homens e 48% de mulheres. No que respeita \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia, as diferen\u00e7as salariais s\u00e3o hoje meramente residuais e n\u00e3o decorrem da diferen\u00e7a de g\u00e9nero, mas resultam, em concreto, da menor representatividade global das mulheres no universo da INCM.<\/p>\n<p><strong>Dora Moita, a primeira mulher a presidir o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>Importa ainda salientar que, em 2023, Dora Moita tornou-se a primeira mulher a assumir o cargo de Presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da INCM, assumindo agora, no feminino, a lideran\u00e7a de uma institui\u00e7\u00e3o com mais de 700 anos de hist\u00f3ria onde trabalham mais de 700 pessoas. Tradicionalmente e historicamente, a atividade caracterizada pela ind\u00fastria tem estado associada ao g\u00e9nero masculino. No entanto, a INCM tem vindo a contribuir para alterar essa tend\u00eancia, promovendo a sua invers\u00e3o, existindo hoje um equil\u00edbrio, no seu quadro de pessoal, entre o n\u00famero de homens e o n\u00famero de mulheres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria das Mulheres na Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) reflete a evolu\u00e7\u00e3o e as transforma\u00e7\u00f5es que, ao longo dos tempos, se verificaram na sociedade e no mundo. 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